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Descoberta novas espécies de hominídeos que conviveram com ‘Homo erectus’ há 1,7 milhão de anos
14/08/2012, 4:49 AM
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Estudo indica que homem primitivo não estava sozinho

Crânio foi combinado com a mandíbula KNM-ER 60000, de hominídeos diferentes. A mandíbula foi ‘encaixada’ em reconstrução fotográfica e o crânio está baseado numa tomografia (Foto: Fred Spoor/Nature)

O antepassado do homem moderno dividiu o planeta com pelo menos outras duas espécies relacionadas quase 2 milhões de anos atrás, afirmaram cientistas nesta quarta-feira, apontando para peças recém escavadas de um quebra-cabeças que já dura 40 anos.

As descobertas, publicadas na revista científica Nature, tratam da odisseia do nosso ancestral, o humano primitivo de postura ereta conhecido como Homo erectus. O H. erectus e o parente construtor de ferramentas denominado Homo habilis foram provavelmente contemporâneos de uma espécie ainda mais antiga, denominada Homo rudolfensis, argumentam os cientistas.

Paleontólogos Meave Leakey e Fred Spoor, autores do estudo, aparecem coletando fósseis no Quênia, perto do local onde foi encontrada a mandíbula KNM-ER 62000 (Foto: Mike Hettwer/National Geographic/Nature)

“A evolução humana não (é) claramente a linha reta que se pensava anteriormente”, afirmou o coautor do estudo, Fred Spoor, em teleconferência. Spoor e uma equipe de cientistas escavou fragmentos de dentes, face e mandíbula datados do período Pleistoceno, em um sítio a leste do lago Turkana, no norte do Quênia, entre 2007 e 2009. A descoberta pôs um fim a uma busca angustiante por pistas sobre o hominídeo de rosto reto e grande cérebro, cujo crânio tinha sido encontrado ali perto em 1972.

Conhecido como KNM-ER 1470 ou simplesmente como 1470, o hominídeo teria vivido cerca de 2 milhões de anos atrás. Mas esta foi a única coisa que ficou clara, já que paleontólogos brigaram asperamente sobre sua identidade.

Até 2007, tal evidência permaneceu indefinida, uma vez que no crânio faltava o osso da mandíbula inferior, parte vital da evidência. “Então, nossa sorte mudou magicamente e no prazo de três anos, encontramos três fósseis que acreditamos ser tributáveis à mesma espécie do 1470”, disse Meave Leakey, que tinha descoberto o 1470 juntamente com seu marido, Richard Leakey.

Mandíbula KNM-ER 60000 é vista antes de restauração (Foto: Mike Hettwer/National Geographic/Nature)

Louise, a filha do casal, integrava a equipe que descobriu os novos fósseis. Os novos fragmentos de dois indivíduos que se parecem com o 1470 têm entre 1,78 e 1,95 milhão de anos e foram encontrados no raio de 1 km do local onde foi descoberto o 1470. “Um dos grandes problemas com o crânio do 1470 era que, embora fosse notavelmente completo, com a caixa craniana completa e uma parte considerável da face, não tinha dentes, nem a mandíbula inferior”, disse Spoor.

“Este (novo) pequeno crânio tem dentes e de fato os dentes estão muito bem preservados”, acrescentou. Os novos fósseis foram cuidadosamente removidos do arenito usando uma broca de dentista antes de serem escaneados por dentro e por fora em um hospital de Nairóbi, capital do Quênia.

Os escâneres foram usados em uma reconstrução virtual de toda a mandíbula inferior, que demonstrou ter um bom encaixe com a mandíbula superior do 1470. O resultado: um hominídeo que muito provavelmente é de uma linhagem mais antiga do homo chamada H. rudolfensis. Se assim for, significa um golpe em uma teoria contrária de que o 1470 seria um Homo habilis com má-formação.

Dentes de uma das mandíbulas encontradas aparecem, à esquerda, incrustados na rocha e, à direita, após a remoção da terra, mostrando o céu da boca de um ancestral do homem moderno (Foto: Fred Spoor/Nature)

“Falando estatisticamente, as chances de que esta seja realmente uma espécie diferente aumentaram enormemente”, disse Spoor. As três espécies supostamente ficaram fora do caminho umas das outras e tinham alimentação diferente, supõem os autores.

A descoberta é “significativa porque eles respondem a uma questão chave em nosso passado evolutivo: quão diverso foi nosso gênero perto da base da linhagem humana?”, explicou Leakey.

Para outros especialistas, a descoberta mostrou que a família humana de 6 milhões de anos teve três raízes complexas, mas alertaram sobre como deviam ser interpretadas.

Algumas autoridades, por exemplo, argumentam que o Homo erectus evoluiu do Homo habilis, enquanto outros insistem que os dois eram primos ou espécies irmãs.

Os fósseis “ajudam a confirmar a existência de um tipo distinto de humano antigo cerca de 2 milhões de anos atrás”, afirmou Chris Stringer, do Museu de História Natural de Londres.

Terra

Referência:

1. Meave G. Leakey, Fred Spoor, M. Christopher Dean, Craig S. Feibel, Susan C. Antón, Christopher Kiarie & Louise N. Leakey “New fossils from Koobi Fora in northern Kenya confirm taxonomic diversity in early Homo” (Nature, 09 August 2012, 488, 201–204, doi:10.1038/nature11322)

 


1 Comentário so far
Deixe um comentário

Mais uma espécie de hominideo?

O cientista diz claramente:

“A evolução humana não (é) claramente a linha reta que se pensava anteriormente […] Falando estatisticamente, as chances de que esta seja realmente uma espécie diferente aumentaram enormemente […] ajudam a confirmar a existência de um tipo distinto de humano antigo cerca de 2 milhões de anos atrás”,

Onde vai parar a imaginação evolucionista? Eles estão sempre em contradição

Comentário por Anônimo




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