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Estudo faz o mais completo mapeamento da extinção na Era do Gelo
11/11/2011, 6:52 PM
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Imagem: Folha on line

A mensagem do estudo mais completo já feito sobre o sumiço da megafauna, conjunto de grandes mamíferos da Era do Gelo, é que essa extinção em massa não foi tão “em massa” quanto parece.

As causas do desaparecimento variam de espécie para espécie e envolvem mudanças climáticas, o interesse de caçadores humanos na carne dos bichos e, no caso mais famoso, o dos mamutes, fatores ainda incertos.

É o que conclui a equipe liderada por Eske Willerslev, da Universidade de Copenhague, em artigo na revista “Nature”, após analisar dados de seis espécies: rinocerontes-lanosos, mamutes-lanosos, cavalos-selvagens, renas, bisões-das-estepes e bois-almiscarados.

Entre esses bichos, renas e bois-almiscarados ainda estão por aí, mas com sua distribuição geográfica drasticamente reduzida –na Era do Gelo, havia renas até na França. Europa e Ásia tinham bois-almiscarados, hoje reduzidos ao Ártico americano.

Willerslev e companhia são especialistas em DNA antigo –dominam técnicas de extração e análise de material genético a partir de ossos com milhares de anos. A equipe analisou mais de 800 amostras de DNA dos bichos e as datou com precisão.

Os cientistas montaram uma espécie de filme sobre como variou a genética das populações da megafauna ao longo de milhares de anos –de 40 mil anos até 10 mil anos antes do presente.

Os dados genéticos permitem acompanhar o comportamento da população de animais ao longo dos séculos.

O retrato traçado pela pesquisa envolve mais duas fontes. A primeira é o mapa dos habitats de cada espécie ao longo dos milênios, levando em conta variações do clima e da vegetação (as espécies eram herbívoras).

Com isso, dá para saber se o habitat de um animal encolheu tanto que poderia ter levado o coitado à extinção.

A segunda fonte é a presença de caçadores humanos, denotada por sítios arqueológicos que coexistiram com a megafauna.

Com isso em mãos, vieram algumas surpresas. Nos 10 mil anos após o primeiro contato com humanos, as populações de rinocerontes e mamutes cresceram, o que derruba a hipótese da caça intensa. Já os bois-almiscarados quase não eram caçados.

Há indícios claros de contribuição humana para a extinção apenas de renas, bisões e cavalos. Mesmo assim, a mudança climática também seria importante.

O trabalho não aborda a extinção na América do Sul. O Brasil tinha cavalos selvagens, lhamas, mastodontes e preguiças-gigantes.

Fonte: Folha

Referência:

1. Eline D. Lorenzen, David Nogués-Bravo, Ludovic Orlando, Jaco Weinstock, Jonas Binladen, Katharine A. Marske, Andrew Ugan, Michael K. Borregaard, M. Thomas P. Gilbert, Rasmus Nielsen, Simon Y. W. Ho, Ted Goebel, Kelly E. Graf, David Byers, Jesper T. Stenderup, Morten Rasmussen, Paula F. Campos, Jennifer A. Leonard, Klaus-Peter Koepfli, Duane Froese, Grant Zazula, Thomas W. Stafford, Kim Aaris-Sørensen, Persaram Batra, Alan M. Haywood, Joy S. Singarayer, Paul J. Valdes, Gennady Boeskorov, James A. Burns, Sergey P. Davydov, James Haile, Dennis L. Jenkins, Pavel Kosintsev, Tatyana Kuznetsova, Xulong Lai, Larry D. Martin, H. Gregory McDonald, Dick Mol, Morten Meldgaard, Kasper Munch, Elisabeth Stephan, Mikhail Sablin, Robert S. Sommer, Taras Sipko, Eric Scott, Marc A. Suchard, Alexei Tikhonov, Rane Willerslev, Robert K. Wayne, Alan Cooper, Michael Hofreiter, Andrei Sher, Beth Shapiro, Carsten Rahbek, Eske Willerslev “Species-specific responses of Late Quaternary megafauna to climate and humans” (Nature, Published online 02 November 2011; DOI: 10.1038/nature10574)


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