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Homem e mulher das cavernas invertiam papel social, diz estudo
03/06/2011, 5:43 PM
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Crânio de um "Paranthropus robustos", conhecido como SK 48, que viveu em Swartkrans, na África do Sul

Um estudo sobre os primeiros ancestrais humanos que viviam nas cavernas Sterkfontein e Swartkrans, na África do Sul, mostra que as mulheres invertiam seu papel social e abandonavam o núcleo original para unirem-se a outro, enquanto os homens permaneciam no lugar onde nasciam.

A pesquisa, publicada no último número da revista “Nature“, é sem precedentes porque relata a existência de uma estrutura social pré-histórica.

A prática feminina de deixar o grupo original para acompanhar o de seus companheiros é comum em algumas culturas.

Esse mesmo padrão é verificado entre chimpanzés e bonobos, mas a maioria dos outros primatas, como os gorilas, o comportamento é o oposto. As fêmeas ficam com o grupo no qual nascem e os machos mudavam para outros lugares.

ANÁLISE

Os pesquisadores geralmente encontram dificuldades para entender como os primeiros hominídeos usavam a terra e se moviam pelo território somente com a análise morfológica e filogenética.

Liderado pela paleoantropóloga da Universidade do Colorado (EUA) Sandi Copeland, o grupo do estudo atual usou um indicador geoquímico –isótopos de estrôncio que se encontram no esmalte dental– para determinar os movimentos dos hominídeos.

Foram analisadas dentes e restos de oito espécies Australopithecus africanus e mais 11 Paranthropus robustus, grupos que viveram entre 1,7 milhão e 2,4 milhões de anos.

Ambos viveram em savanas arborizadas, provavelmente se alimentando com uma mistura de frutas, grama, sementes e nozes.

Segundo a análise, apenas 10% dos machos se originaram fora de um raio de 30 quilômetros quadrados, contra mais da metade das fêmeas.

Em outras palavras, os homens só se aventuravam, e raramente, a mais de alguns quilômetros de suas cavernas.

O estudo também contesta o senso comum sobre como os primatas deixaram de se locomover em quatro patas e tornaram-se bípedes para percorrer grandes distâncias em busca de abrigo e comida.

Os indícios sugerem que os machos limitaram suas viagens às atividades de caça e coleta. Ou seja, a mudança para a posição ereta pode ter sido influenciada por outras necessidades.

Referência:

1. Sandi R. Copeland, Matt Sponheimer, Darryl J. de Ruiter, Julia A. Lee-Thorp, Daryl Codron, Petrus J. le Roux, Vaughan Grimes, Michael P. Richards. “Strontium isotope evidence for landscape use by early hominins” (Nature, 2011; 474 (7349): 76 DOI: 10.1038/nature10149)

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COMENTÁRIO:

Por Daniel F. Zordan

No decorrer da história humana, as mulheres têm sido oprimidas, excluídas dos direitos garantidos aos homens, não dispondo de espaços de liberdade. Países Asiáticos, como China e Índia, o tráfico de mulheres faz com que estas representem apenas um bem de consumo. Na Tailândia, adolescentes com idades compreendidas entre os 15 e os 20 anos são alvo de abuso sexual por estrangeiros. Ainda há, não somente nos países asiáticos, mas em todo planeta: abuso de poder, violação, prostituição forçada, assassinato, espancamento, e um tipo de educação que desvaloriza a mulher e perpetua as relações de dominação.

Sendo assim, não seria mais coerente com o comportamento humano conhecido em toda a história que ao invés das mulheres terem se unido a outros grupos, por livre e espontânea vontade, não poderiam ter sido levadas a força?  

The peace of God


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